O arrozal ali esteve
por anos e anos
e dele se colhia a ideia
de que a vida seguia
seu rumo e acerto.
Sim, eram colheitas diversas,
da água inicial, em raso espelho,
ao verde tenro, depois ao verde
mais denso, ao intenso verde,
esmaecendo-se então
até douradas ondas ao vento.
Bonito era vê-lo
e quase tocá-lo, à distância,
com os dedos do sonho.
Retorna agora, arrozal,
lembrança arcada nos anos.
Porém, no chão em que se urdia
se cravam estacas de aço e concreto
e se erguem paredes pesadas.
Reinarão pelos dias afora,
aflorada geometria,
e aos poucos ninguém saberá
que ali se plantava e se colhia
o arroz da poesia.
Alcides Buss