DEPOIS DE TUDO
Agora são outros quinhentos.
Em nossos lábios escorre
um mel futurista – ou fel –
reciclado mil vezes.
Quase nada sabemos
do que sabem de nós.
Porém, mergulhamos
em causas profundas.
A um passo de tudo,
dedilhamos o medo
na serpente
dos arranhacéus.
A Terra, que outrora
em beleza e graça se esmerou,
borbulha em tubos de ensaio
nos laboratórios da vida.
Para frente olhamos,
até onde conseguimos ver.
E seguimos para onde
nos queremos ter, se sorte
tivermos, a salvo
de nossos próprios atos.
Alcides Buss