DE LETRAS E MURMÚRIOS
Me posso dar ao intuito
de tudo reinventar.
Começo por mim.
Já não sou o mesmo
de um minuto atrás.
Se humano fui,
agora me desfio
nesse bordado tecido,
sem cessar, dia após dia.
Um emaranhado de vozes
me recobre, avesso,
por dentro da memória.
Pelo lado de fora
se entrelaçam ficção
e história, em incrível
ousadia desumana.
O que era o mundo
– aos meus olhos –, agora
é poder: esse poder
de não ser nada!
Alcides Buss