VELHOS E JOVENS
Era um grupo de idosos
que no palco se postava,
dois a dois, mulher
e homem, doando-se à música
no vai-e-vem do corpo.
De dentro deles o sorriso
aflorava, tal se a vida
brotasse ainda do silêncio
sob os nomes, erguendo-se
em fibra e fantasia.
Olhando-os, ia colhendo
o sentido de não ser, ainda,
um velho, mas que um dia
estaria, também, cingido
pelas sombras do passado.
No palco, enquanto isso,
o grupo se esmerava
em parecer feliz,
indiferente ao que pudesse,
eu, estar pensando.
Assim, entre o esmero
dançarino, deles,
e o que em mim ardia,
deixei-me tomar
pela dança. Separava-nos
a idade, mas algo
mais forte nos unia!
Alcides Buss