O SACO DA POESIA
Não tenhas medo.
Um poema que sai,
um novo livro na praça,
não é mais
que um balde de água
no Amazonas,
um punhado de areia
no Saara.
A ninguém faz mal
o poeta. Apenas se entretém
na teia em que sente
o sol gastar-se.
No imenso céu
a galáxia vai adiante,
indiferente ao rumor
de algum planeta
que, lunático, a segue
em linhas tortas.
Alcides Buss