IMPROVISO PARA AMANHÃ
Há coisas que acabam.
Há coisas que não acabam.
Pessoas e árvores
assim como nascem, assim terminam.
As florestas, porém, teimam
em resistir. Viverão para sempre?
A multidão que lota o estádio
será pelos séculos afora
a mesma multidão.
Não, talvez, exatamente a mesma.
Mas, ainda assim, será a multidão.
Na sala de aula se vão
os alunos, ano após ano.
A classe, diante do mestre,
será no entanto sempre ela, a classe.
Se vou pela rua repleta,
eu sei, carrego comigo
o inexorável limite de meu fim.
A rua, porém, não está nem aí
e adiante vai, sem tempo pra findar.
Se, ao contrário, fosse eu viver
para sempre, creio que então se acabariam
em morte banal
as florestas, os estádios, as ruas.
Talvez acabassem também
essas coisas quase nuas, quase soltas,
como os sentidos que entrelaçam
duas pessoas.
Alcides Buss