REVISÃO
Eu disse, um dia,
que o amor é tudo.
Mas o amor não é tudo:
é apenas um todo
fortuito.
É o olho cego
no vento
– crisântemo que foge
das mãos
e, em meio a palavras
velozes,
desfaz-se em mar
de razões,
faisões
em fósseis,
abrigos à luz de um mito
insubmisso.
Um dia
eu disse que o amor
é tudo. Mas agora
eu sei:
é tudo o que ninguém disse.
Alcides Buss