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Poemas

ANCORAMENTOS

As árvores são navios
ancorados na tarde.

Eu? Sou somente
o que sobrou da véspera.

As árvores são as âncoras
de meu enleio interior.

E tu? És apenas
o que deixaste há instantes.

As árvores são os elos
da pedra desfeita
              nos séculos.

E nós? Os átomos perplexos;
o agora à espera
               dos crédulos.

As árvores: elétrons
circundando razões
                  inabitáveis.

Alcides Buss


EquipeDigital.com