CEMITÉRIO JUDEU EM PRAGA
No velho cemitério judeu
em Praga
assombra-me
o escrutínio de vozes
entrelaçadas às lápides,
como se a vida
após a morte
se reinventasse
e se despisse do que não fosse
só
a sombra
de histórias e nomes.
Para vê-lo melhor,
debruço-me
na distância demasiada
que me separa
do que olho
com meus olhares intrusos
e submersos
em tantas cruzes
que já levo comigo.
Por assim dizer
aflito,
não sei se rezo
ou apenas me rendo
à força do tempo
inscrita nesse ver,
à voraz lembrança
de meus próprios egos
sobrepostos
e encalacrados.
Sim, eu já fui
outro
e também tu
já foste réu
ao deixar de ser
o que eras.
Resta-nos,
a todos, atar nossas sombras
para que não nos percam
por completo
no cemitério dos anos.
Alcides Buss